Mina de Sal de Praid
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## Introdução cativante e Valor universal No coração da Terra dos Székely, onde os Montes Gurghiu se estendem como uma fortaleza natural sobre o antigo condado de Udvarhely, encontra-se um lugar onde a história da Europa se escreve em sal. A Mina de Sal de Praid — conhecida em húngaro como *Parajdi sóbánya* e em alemão como *Salzberg* — não é apenas a maior exploração subterrânea de sal-gema da Romênia, mas sim um monumento do património industrial europeu, uma cidade subterrânea escavada há mais de dois séculos e meio, que até à primavera de 2025 atraía anualmente mais de 200.000 visitantes de todo o mundo. Esta salina representa uma obra-prima da engenharia mineira habsburgo, um santuário da espeleoterapia de nível europeu — inspirada diretamente no modelo lendário de Wieliczka, na Polónia — e, ao mesmo tempo, uma testemunha silenciosa de momentos de viragem na história do continente: desde as estratégias económicas do Reino da Hungria medieval, passando pelas reformas administrativas do Império Habsburgo, até ao desastre ecológico provocado pelas alterações climáticas do século XXI. Atualmente, após a catastrófica inundação de maio de 2025, a Mina de Sal de Praid encontra-se num período de transição dramática. Fechada ao público por tempo indeterminado, com um estado de alerta prolongado mensalmente na comuna de Praid, a salina tornou-se símbolo de uma luta europeia pela salvação do património cultural face à natureza desenfreada. A 8 de outubro de 2026, a Comissão Europeia aprovou a atribuição de 14,3 milhões de euros do Fundo de Solidariedade da União Europeia para a recuperação deste objetivo, abrindo perspetivas concretas para a reabertura do estaleiro até ao final deste ano. Até lá, a história da Mina de Sal de Praid permanece uma lição viva sobre a fragilidade e a resiliência do património europeu. ## Raízes históricas e Ligações europeias maiores ### Da Dácia romana ao Império Habsburgo: uma história continental do sal Os jazigos de sal de Praid formaram-se há 13,5 milhões de anos, no período do Mioceno médio, quando um mar tropical de pouca profundidade cobria a bacia da Transilvânia. A camada de sal, com uma espessura original de aproximadamente 400 metros, foi empurrada pelas forças tectónicas para a superfície, formando um corpo diapírico com dimensões impressionantes: 1,2 quilómetros por 1,4 quilómetros em planta horizontal e uma profundidade de 2,6-2,8 quilómetros — o maior maciço de sal da Romênia e um dos mais importantes da Europa Central. A exploração deste tesouro subterrâneo tem raízes que se perdem na névoa da história. Ainda na época romana, quando a Dácia era província do Império Romano (106-274 d.C.), as legiões romanas extraíam sal da superfície, em fossas quadrangulares profundas de 12-15 metros, abandonando-as depois para iniciar outras. O arqueólogo Volker Wollmann, na sua monumental monografia sobre a mineração na Transilvânia, sublinha que nas imediações de cada jazigo de sal existia uma fortificação romana. Assim, o castro *Praetoria Augusta* de Inlăceni protegia precisamente as explorações de sal de Praid, testemunha silenciosa da estratégia imperial de controlar os recursos essenciais das províncias. A primeira atestação documental escrita da mina data de 1291, numa carta de privilégio emitida pelo rei André III da Hungria, que confirmava os direitos reais sobre as salinas. Porém, a verdadeira revolução na história de Praid ocorre no século XVIII, com a integração da Transilvânia no Império Habsburgo. Depois de as tropas habsburgas terem ocupado o Principado em 1690 e a Diploma Leopoldina de 1691 ter consagrado a nova ordem constitucional, os recursos minerais tornaram-se propriedade direta da coroa de Viena. No ano de 1762, sob a orientação do engenheiro mineiro austríaco Johann Frendl (também mencionado como Frendl Aladar), foi aberta a primeira mina subterrânea sistemática — a mina José (*József*), com forma de sino ou ogival. O sal extraído manualmente era embalado em peles de búfalo e puxado para a superfície com a ajuda de um crivac (*Göpel*) acionado por quatro pares de cavalos. Este mecanismo, único na Romênia e preservado hoje no Museu Técnico Dimitrie Leonida em Bucareste, funcionou ininterruptamente entre 1762 e 1950, sendo a mais antiga instalação deste tipo no país. Em 1787, o sal de Praid torna-se oficialmente propriedade estatal austríaca, marcando o início de uma exploração sistemática organizada segundo os princípios modernos da administração imperial vienense. Da ocna-sino José abriram-se posteriormente duas câmaras laterais, denominadas minas Carlos (*Károly*) e Fernando, também em forma de sino, demonstrando técnicas de escavação inspiradas na tradição mineira da Alemanha e da Áustria. ### O direito dos székely ao sal: a liberdade no seio do Reino da Hungria Um capítulo fascinante da história de Praid constitui o direito dos székely à exploração do sal — uma liberdade (*libertas*) que definiu a identidade da comunidade székely no seio do Reino da Hungria medieval. Em 1405, o rei Sigismundo de Luxemburgo (aquele que mais tarde se tornaria também imperador do Sacro Império Romano) proibiu os grandes proprietários fundiários de explorar sal nas suas herdades, e o seu sucessor emitiu uma lei pela qual aos székely e saxões da Transilvânia se permitia extrair sal de Praid três vezes por ano. Esta disposição jurídica reflete o estatuto privilegiado dos székely como nação militar (*natio militaris*) no seio do sistema feudal húngaro, um estatuto semelhante ao dos cavaleiros teutónicos ou das ordens cavalheirescas da Europa Ocidental. O direito ao sal era parte integrante da autonomia dos székely, e os conflitos pela preservação deste privilégio marcaram a história da região durante séculos. Mesmo no período da dominação habsburgo, quando a administração centralizada de Viena assumiu o controlo sobre as salinas, as comunidades székely continuaram a reivindicar os seus direitos tradicionais, e príncipes da Transilvânia como Gabriel Báthory (1603), Estêvão Bocskai (1605), Gabriel Bethlen (1613) ou Jorge Rákóczi I (1631) foram obrigados a garantir a liberdade do direito ao sal nas condições da sua eleição. ### Horizontes europeus: de Wieliczka a Solotvyno A Mina de Sal de Praid inscreve a sua história num contexto europeu mais vasto da exploração do sal, que modelou a civilização do continente desde os tempos mais remotos. O sal era o "ouro branco" da Idade Média, essencial para a conservação dos alimentos, para a indústria alimentar e para o comércio internacional. As redes de estradas do sal (*Salzstraßen*) atravessavam a Europa desde o Mar Báltico até ao Mediterrâneo, e cidades inteiras — Hallein na Áustria, Wieliczka e Bochnia na Polónia, Bex na Suíça, Hallstatt na Áustria — devem a sua prosperidade a este mineral. A mina de Wieliczka, situada junto a Cracóvia na Polónia, representa o modelo europeu mais próximo para Praid. Explorada continuamente desde o século XIII e incluída no Património Mundial da UNESCO em 1978, Wieliczka é conhecida como a "Catedral subterrânea de sal", com capelas esculpidas em sal, lagos subterrâneos e um sanatório para afeções respiratórias a 135 metros de profundidade. Nos anos 1960, inspirando-se diretamente no modelo polaco, o diretor da Salina de Praid, Telegdy Károly, em conjunto com o médico dr. Veres Árpád, colocou as bases da espeleoterapia moderna em Praid, transformando as galerias abandonadas num centro terapêutico de referência para a Europa de Leste. Outros centros europeus de espeleoterapia incluem o hospital subterrâneo de Solotvyno (Aknaszlatina) na Ucrânia — o maior centro deste tipo no mundo, embora agora gravemente afetado pela guerra e inundações — e diversas facilidades na Chéquia, Alemanha e Itália. Praid distingue-se pela dimensão impressionante das câmaras de exploração — a mina Paralela, aberta em 1864, é tão vasta que poderia albergar sem problemas a Catedral de São Miguel de Cluj — e pelo seu microclima único, com temperaturas constantes de 14-16°C, humidade de 66-70% e ar fortemente ionizado. ## Obra-prima arquitetónica e Património artístico ### Arquitetura subterrânea: catedrais de sal e engenharia habsburgo A Mina de Sal de Praid representa um exemplo notável de arquitetura industrial subterrânea, desenvolvida ao longo de dois séculos e meio segundo os princípios da engenharia mineira centro-europeia. O sistema de galerias e câmaras reflete a evolução das técnicas de exploração desde os métodos tradicionais do século XVIII até aos métodos modernos do século XX. A técnica clássica de abertura das ocnas, descrita em pormenor pelos historiadores da mineração, seguia um protocolo rigoroso inspirado na prática austríaca e alemã. Antes da abertura de uma nova ocna, executavam-se sondagens de exploração; se até 36 metros (18 *Klafter* ou 18 braças) não se intercetasse o sal, o projeto era abandonado. Os poços escavavam-se com perfil quadrado, com o lado de 2,8 metros, até 4 metros abaixo do contacto estéril-sal, onde se realizava a "fundação" de vigas de madeira. As paredes eram revestidas com pele de búfalo para impedir o contacto da água com o sal, e a mina tomava a forma cónico-ogival, com a secção o mais circular possível. A mina José (1762), com a sua forma de sino, foi seguida pelas câmaras Carlos e Fernando. Em 1809, a 140 metros sudeste, abriu-se a "Ocna Nova" (*Újbánya*), que porém foi inundada e abandonada em 1811, apenas dois anos após a inauguração — um aviso precoce sobre a fragilidade do sistema face às águas do ribeiro Corund. Em 1864, junto à mina José, abriu-se a mina Paralela (*Párhuzamos*), com perfil trapezoidal, que permanece hoje como uma das maiores cavidades subterrâneas da Romênia. Uma menção especial merece a mina Isabel (*Erzsébet*), aberta em 1898 como mina de reserva na parte nordeste do Monte de Sal. Em 1939, as tentativas de exploração por dinamite conduziram ao desabamento do teto e ao aparecimento de uma grande dolina à superfície, que existe ainda hoje — um monumento natural da interação entre a atividade humana e a geologia do sal. ### A época comunista e a transformação terapêutica Depois da Segunda Guerra Mundial, a salina conhece uma nova etapa de desenvolvimento. Entre 1947-1949 abriu-se a mina Jorge Doja (*Dózsa György*), denominada segundo o líder da revolta camponesa de 1514 — um gesto simbólico do regime comunista de homenagear figuras populares da história. O transporte do sal fazia-se pelo poço J. Doja e pela ferrovia de bitola estreita, e depois dos anos 70, com basculantes de 16 toneladas. Em 1978, a 40 metros abaixo do nível das minas antigas, foi aberta uma nova mina, posta em exploração em 1980, com câmaras de 20 metros de largura, 12 metros de altura e comprimentos de centenas de metros. O horizonte mais profundo situava-se a 320 metros abaixo do nível da superfície. Em 1991 comenzaron as obras para o setor Telegdy, dado em exploração em 1994 e denominado segundo o antigo diretor da salina, Telegdy Károly. O método de exploração — "câmaras pequenas e pilares quadrados" (método canadiano) — oferecia segurança estrutural superior, com larguras de 16 metros, alturas de 8 metros e pilares de 14x14 metros. ### A Base de Lazer: uma cidade subterrânea europeia A realização arquitetónica mais impressionante da Salina de Praid é a Base de Lazer, amenajada no "horizonte 50", a 120 metros de profundidade abaixo do nível do solo. O espaço, com uma largura de 20 metros, altura de 14 metros e comprimento de centenas de metros, foi transformado numa verdadeira cidade subterrânea, única na Europa pela combinação entre património industrial, terapia médica e lazer. O acesso fazia-se por uma galeria de transporte de 1.250 metros, percorrida com autocarros especiais, seguida de uma descida de 247 degraus até às sete câmaras de visita. A saída realizava-se por outra rota, subindo 179 degraus. O microclima específico — temperaturas constantes de 14-16°C, humidade reduzida de 66-70%, pressão atmosférica maior do que à superfície (735-738 mmHg) e ar fortemente ionizado — fez deste espaço um santuário para o tratamento de afeções respiratórias. No subterrâneo, os turistas descobriam um universo surrealista: centenas de mesas e sofás de madeira esculpida, um restaurante, cafés, mesas de bilhar e pingue-pongue, um museu da mineração que apresentava os métodos de extração desde os romanos até ao presente, uma biblioteca, espaços de brincadeira para crianças e, num canto retirado, uma capela de madeira construída em 1993 para oração. O Club Aventura, o primeiro parque de aventura da Europa amenajado numa salina, oferecia percursos entre postes de até 15 metros de altura e percursos em rocha de sal natural. Uma galeria dos vinhos apresentava 275 variedades provenientes de 25 viticultores de seis países europeus, e um internet-café assegurava a conectividade nas profundezas. Na época de pico, a salina podia receber até 3.000 visitantes por dia, sendo em 2009 a salina mais visitada da Romênia, com mais de 200.000 turistas anuais. ## Lendas, personalidades e momentos de viragem ### Jorge Doja: a sombra da revolta sobre as galerias salinas O nome de uma mina da Salina de Praid carrega o eco de uma das revoltas mais dramáticas da história da Europa. Jorge Doja (em húngaro *Makfalvai Dózsa György*, em alemão *Georg Dózsa von Makfalva*), nascido por volta de 1470 em Dalnicul no Assento de Cizd dos székely, foi um pequeno nobre székely que conduziu a grande revolta camponesa de 1514 contra os magnatas húngaros. O contexto europeu desses tempos era tumultuoso: o Papa Leão X tinha proclamado uma cruzada contra o Império Otomano, prometendo a libertação da servidão aos camponeses que se juntassem. Mais de 100.000 camponeses — romenos, húngaros, székely, eslovacos, sérvios — reuniram-se sob a liderança de Doja, transformando a cruzada numa revolução social contra a ordem feudal. Depois de os revoltosos terem conquistado a fortaleza de Cenad e derrotado o exército do bispo Csáky, Doja sitiou Timișoara durante dois meses no verão de 1514. Derrotado pelo exército nobiliárquico conduzido por João Zápolya, Doja foi capturado e, a 20 de julho de 1514, executado de modo bárbaro: sentado num trono de ferro incandescente, coroado com uma coroa de fogo e obrigado a ver os seus companheiros de luta — famintos pelos carcereiros — devorá-lo vivo. Em 1949, o regime comunista da Romênia abriu a mina Jorge Doja em Praid, denominando-a segundo este herói popular, num gesto de propaganda histórica que associava a luta pela liberdade dos mineiros à memória das revoltas camponesas. A mina funcionou até 1970 para extração, e posteriormente as suas câmaras foram transformadas em base de tratamento e lazer. ### Telegdy Károly: o visionário da terapia subterrânea A figura central da transformação da Salina de Praid de uma simples exploração mineira num centro terapêutico e turístico de nível europeu foi Telegdy Károly, o diretor da salina no período de desenvolvimento intensivo. Inspirando-se no modelo consagrado da mina Wieliczka da Polónia — que estudou em pormenor — Telegdy Károly, em conjunto com o médico dr. Veres Árpád, colocou as bases da espeleoterapia moderna na Romênia nos anos 1960. Sob a sua direção, as galerias abandonadas da mina Jorge Doja foram transformadas na base de tratamento subterrâneo, e em 1994 foi dado em exploração o setor mineiro que lhe traz o nome. A técnica "câmaras pequenas e pilares quadrados" (método canadiano), com dimensões precisas de 16 metros de largura, 8 metros de altura e pilares de 14x14 metros, assegura a estabilidade estrutural necessária para a amenização dos espaços terapêuticos e turísticos. ### František Pošepný e a ciência europeia do sal Em 1867, o geólogo checo František Pošepný (também conhecido como Franz Pošepný) realizou um estudo pormenorizado das ocnas de sal ativas e inativas de Praid, contribuindo para o conhecimento científico internacional dos jazigos transilvanos. Pošepný fazia parte de uma tradição de investigadores centro-europeus — ao lado de Paul Partsch, que visitara a zona em 1826, ou Johann Fichtel, autor de uma contribuição para a história dos minerais da Transilvânia em 1780 — que documentaram o património geológico da região para a comunidade científica europeia. ### A catástrofe de maio de 2025: o momento de viragem A primavera de 2025 trouxe o episódeo mais grave da história recente da Salina de Praid. Depois da data de 5 de maio, as precipitações abundantes determinaram o subida brusca do caudal do ribeiro Corund até aproximadamente 60 m³/s — um nível mais de cem vezes superior à média habitual. A superfície do maciço de sal, fortemente carstificada com numerosas fendas, fissuras e dolinas, permitiu às águas infiltrar-se no subterrâneo através de abatimentos formados no leito do ribeiro. Entre 27 e 30 de maio de 2025, todo o volume de água do Corund infiltrou-se na salina, inundando completamente os nove horizontes de exploração, incluindo a base de lazer e a zona turística. Mais de 4 milhões de metros cúbicos de água encheram as galerias, destruindo as instalações, os stocks de sal e a infraestrutura elétrica. A Sociedade Nacional do Sal (Salrom) suspendeu toda a atividade, e o Comité Local para Situações de Emergência instituiu o estado de alerta na comuna de Praid — uma medida que, em outubro de 2026, permanece ainda em vigor, sendo prolongada mensalmente. O Presidente da Romênia, Nicușor Dan, visitou a salina a 31 de maio de 2025, prometendo apoio para a reabertura e compensações para os aproximadamente 130 funcionários afetados. O Governo húngaro ofereceu assistência técnica para a restauração, demonstrando a solidariedade transfronteiriça face a um desastre que atingiu um património comum da Europa Central. ## Guia prático de visita e A experiência do turista de hoje ### Situação atual: outubro de 2026 Atualmente, a Mina de Sal de Praid permanece fechada ao público por tempo indeterminado. O estado de alerta instituído na comuna de Praid a 8 de maio de 2025 foi prolongado mensalmente, a última prorrogação sendo válida até 8 de abril de 2026, e posteriormente estendida novamente. O acesso à zona da salina é restrito, e os turistas podem visitar apenas o exterior do perímetro e o museu ao ar livre da localidade. A 8 de outubro de 2026, a Comissão Europeia aprovou a atribuição de 14,3 milhões de euros do Fundo de Solidariedade da União Europeia para a Romênia, destinado parcialmente à recuperação da Salina de Praid. O Parlamento Europeu votara esta medida já a 7 de julho de 2026, com 642 votos a favor. A Ministra interina do Ambiente, Diana Buzoianu, anunciou que espera que o estaleiro para a recuperação seja aberto até ao final do ano de 2026, com planos que incluem a reabertura da Mina José (também conhecida como "Sala dos Ecos") e a criação de uma nova ligação para a Mina Teresa. ### Quando reabrirá: perspetivas para 2027 Embora não exista ainda um prazo oficial para a reabertura completa da salina, os especialistas estimam que as obras de bombagem de água, estabilização das estruturas e reamenização da infraestrutura turística poderão durar entre 18 e 36 meses desde o início do estaleiro. Tendo em conta a aprovação dos fundos europeus e o envolvimento das autoridades centrais, a perspetiva de uma reabertura parcial em 2027 parece realista, embora a reabertura completa da base de lazer e do circuito terapêutico possa necessitar de mais um ou dois anos. ### O que pode visitar o turista na zona atualmente Mesmo na ausência de acesso ao subterrâneo, a região de Praid oferece uma rica oferta turística alternativa. A estância balneoclimática de Sovata, situada a apenas 10 quilómetros de distância, alberga o Lago Urso — o maior lago heliotérmico da Europa — e o Lago Aluniș, com águas salgadas benéficas para a saúde. O centro de cerâmica de Corund, renomado pela sua tradição secular, oferece oficinas e exposições de olaria. A aldeia de Praid preserva monumentos históricos como a antiga chancelaria da mina (hoje dispensário médico, monumento histórico código LMI HR-II-m-B-12935), a igreja reformada de 1780 e a casa memorial Lajos Áprily. O percurso Via Transilvanica, o mais longo trilho de caminhada da Romênia, passa por Praid, oferecendo a ocasião de explorar a paisagem específica da Terra dos Székely, com as suas colinas onduladas, pastagens alpinas e florestas de folhosas e coníferas dos Montes Gurghiu. O Monte de Sal, com a sua altura de 576 metros, é declarado reserva natural de categoria III IUCN e pode ser explorado em trilhos sinalizados. ### A experiência do visitante: o que o esperava quando a salina reabrir Quando a Mina de Sal de Praid reabrir as suas portas, os visitantes poderão reviver uma experiência única na Europa. O acesso far-se-á com autocarros especiais que percorrem a galeria de 1.250 metros, descendo 70 metros abaixo do nível da entrada, num ângulo de 3-4 graus. Daí, os turistas descerão a pé aproximadamente 250 degraus — uma prova de resistência especialmente para pessoas idosas — até às sete câmaras de visita situadas a 120 metros abaixo da cota de superfície. A temperatura constante de 15-16°C impõe o uso de roupas mais grossas, mesmo no auge do verão. O ar salino, fortemente ionizado, oferece benefícios terapêuticos comprovados para afeções respiratórias — asma brônquica, bronquites crónicas, alergias — e a cura padrão dura 18 dias, desenrolando-se sob supervisão médica permanente. As facilidades incluirão: a capela de madeira para oração (construída em 1993), o museu da mineração com peças históricas e o crivac com cavalos em reprodução, o Club Aventura com percursos de aventura em rocha de sal e entre postes, restaurante e bufê, mesas de bilhar e pingue-pongue, biblioteca, espaços de brincadeira para crianças, galeria dos vinhos com 275 variedades de seis países europeus e internet-café. A saída do subterrâneo faz-se por outra rota, subindo 179 degraus até à galeria de transporte. ### Tarifas e programa (informações para o período após a reabertura) Embora as tarifas atuais não estejam disponíveis devido ao encerramento, o histórico de preços indica um sistema flexível: bilhetes de entrada para turistas, assinaturas para curas de espeleoterapia (18 dias), e tarifas especiais para grupos e escolas. O programa de visita costumava ser 8:00-18:00, com a última entrada do autocarro às 16:30. Recomenda-se a reserva com antecedência, especialmente na época estival e no período das festas de inverno, quando a salina pode receber até 3.000 visitantes por dia. ### Recomendações para visitantes Para aqueles que desejam visitar a região de Praid no período de reconstrução da salina, recomenda-se o alojamento nas pensões de Praid, Sovata ou Corund, que oferecem acesso a águas termais, tratamentos balneares e cozinha tradicional székely. A época ótima para visita é o verão (junho-setembro), quando as temperaturas exteriores fazem o contraste com os 15-16 graus do subterrâneo particularmente agradável, embora a salina possa ser visitada ao longo de todo o ano devido ao clima constante. Para os apaixonados pela história, uma visita ao Museu Técnico Dimitrie Leonida em Bucareste oferece a ocasião de ver o crivac original com cavalos de Praid, testemunha de uma época em que o poder dos animais e a engenhosidade humana modelavam o subterrâneo da Europa. E para os interessados pelo património UNESCO, uma excursão a Wieliczka na Polónia ou a Hallein na Áustria oferece o contexto comparativo necessário para compreender plenamente o valor universal da Mina de Sal de Praid — uma pérola do património industrial europeu, presentemente num período de renascimento através da solidariedade da União Europeia.